Anthropic vai pagar 200 bilhões de dólares ao Google para obter mais capacidade de computação

A relação entre as duas empresas está se revelando quase simbiótica

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A Anthropic concordou em pagar ao Google cerca de 200 bilhões de dólares ao longo de cinco anos para contar com mais capacidade de computação, segundo o site The Information. Com isso, a startup de IA se tornaria o maior cliente individual do Google Cloud, representando mais de 40% do backlog de receitas que a Alphabet comunicou aos seus investidores na semana passada.

Um backlog de receitas reflete compromissos contratuais já assinados pelos clientes de um provedor de nuvem. O fato de a Anthropic ocupar mais de 40% do backlog do Google Cloud diz muito sobre até que ponto a startup se tornou uma peça estrutural do negócio da Alphabet.

Também há outra nuance a destacar: as grandes empresas de IA, como Anthropic ou OpenAI, continuam precisando dos hiperescaladores (gigantes do setor de tecnologia) para seguir crescendo. Nesse sentido, tanto Microsoft quanto Google podem se dar ao luxo de não ter os melhores modelos de IA, desde que recebam uma quantidade tão grande de receitas por oferecer tamanha capacidade de computação.

O acordo

Segundo o The Information, o pacto, assinado em abril, inclui uma capacidade massiva de TPUs (os chips de IA próprios do Google), fornecidos em colaboração com a Broadcom. No entanto, essa infraestrutura só estará pronta a partir de 2027. A Anthropic, por sua vez, não trabalha apenas com hardware do Google, pois também utiliza chips Trainium da Amazon e GPUs da Nvidia, uma tentativa de diversificar fornecedores e não depender de uma única empresa para o fornecimento de capacidade de computação.

A Alphabet vem investindo na Anthropic há anos: foram 300 milhões de dólares em 2023, depois outros 2 bilhões, em seguida mais 1 bilhão em 2025. Há alguns dias, descobrimos ainda um investimento de até 40 bilhões adicionais por parte do Google, dos quais 10 bilhões seriam desembolsados imediatamente e o restante ficaria condicionado ao cumprimento de metas.

Em troca, o Google Cloud fornecerá 5 gigawatts adicionais de capacidade de computação. Dessa forma, o Google investe na Anthropic e a Anthropic gasta esse dinheiro no Google. Isso se chama financiamento circular e está se tornando a chave de como os alicerces da IA estão sendo construídos com base em promessas.

Segundo o veículo, os contratos assinados entre os grandes provedores de nuvem (Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud) e startups como Anthropic e OpenAI já somam mais de 2 trilhões de dólares em backlogs comprometidos. Os hiperescaladores investem nas startups de IA e as startups de IA gastam esse dinheiro na infraestrutura desses mesmos hiperescaladores.

A situação da Anthropic

As estimativas apontam que os custos com servidores da Anthropic podem alcançar 20 bilhões de dólares apenas em 2026. A empresa ainda não é rentável, mas a demanda por sua família de modelos Claude continua crescendo fortemente no segmento empresarial, o que a obriga a garantir capacidade de computação no longo prazo antes que a escassez de infraestrutura a impeça de fazê-lo.

O acordo com o Google se soma a outro recente com a CoreWeave e à previsão de garantir quase um gigawatt de capacidade adicional por meio dos chips da Amazon antes do fim do ano.

A Alphabet vive um momento de máxima pressão competitiva em IA. Seu negócio de nuvem cresceu 36% no ano passado e a Anthropic é um de seus clientes mais intensivos. Perder essa relação, ou vê-la migrar para outros provedores como a AWS, seria um golpe significativo.

Além disso, com uma avaliação da Anthropic que a Bloomberg estima em cerca de 800 bilhões de dólares, e com uma possível abertura de capital antes do fim do ano, a participação acumulada do Google na empresa pode se transformar em um de seus ativos financeiros mais valiosos. Não se trata apenas de infraestrutura: é também uma aposta de capital.

Imagem | Wikimedia e Fortune Brainstorm Tech

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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