Carpa biônica é segredo da marinha chinesa para saber as condições do mar - e quem sabe as dos inimigos

Robô subaquático com inteligência artificial imita movimentos de peixes reais para monitorar ambientes aquáticos de forma silenciosa

Peixe robô sendo exibido na  Universidade de Wuhan
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora

Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

654 publicaciones de Laura Vieira

Existem várias espécies de peixes nos mares e oceanos, mas você já ouviu falar na carpa biônica? Durante uma exposição aberta da Marinha da China em Dalian, um visitante apontou para o que parecia ser um peixe comum e perguntou quanto custava aquela “carpa”. O que ninguém esperava era que o animal, na verdade, fosse um robô subaquático equipado com sonar, sensores e inteligência artificial, capaz de monitorar o ambiente aquático em tempo real.

A tecnologia faz parte de uma nova geração de peixes robóticos biomiméticos desenvolvidos por universidades chinesas para atuar em monitoramento ambiental, coleta de dados e exploração subaquática.  Um estudo publicado na revista científica The Innovation aponta que esse tipo de tecnologia pode substituir operações humanas em ambientes perigosos, poluídos ou de baixa visibilidade. Além disso, os peixes robóticos apresentam vantagens importantes, como maior capacidade de manobra, baixo consumo de energia e facilidade para acessar áreas estreitas ou profundas.

Um dos modelos mais recentes foi apresentado pela Universidade de Wuhan durante a Conferência Mundial de Educação Digital, realizada em maio de 2025. Oficialmente, o objetivo é ajudar na proteção ecológica do Rio Yangtzé. Mas as capacidades desses robôs mostram que eles também podem ter aplicações estratégicas que vão muito além da preservação ambiental.

Robôs-peixe conseguem nadar quase como animais reais

O grande diferencial dos peixes biônicos chineses não está apenas nos sensores ou na inteligência artificial, mas na forma como eles se movimentam. Diferente dos drones subaquáticos tradicionais, que usam hélices, esses robôs reproduzem os movimentos naturais de peixes reais usando articulações no corpo e na cauda. Como consequência, eles realizam uma navegação muito mais silenciosa, eficiente e difícil de detectar.

O modelo apresentado pela Universidade de Wuhan mede cerca de 53 centímetros e possui sensores capazes de detectar obstáculos, analisar condições da água e transmitir informações em tempo real para computadores externos. Além disso, o sistema utiliza aprendizado de máquina para adaptar seus movimentos conforme o ambiente. Veja abaixo o vídeo divulgado pela Marinha chinesa mostrando o peixe biônico em funcionamento: 

Pesquisadores explicam que a biomimética, área que tenta copiar soluções existentes na natureza, resolve alguns dos maiores problemas da exploração subaquática atualmente. Como os robôs imitam a hidrodinâmica dos peixes, eles gastam menos energia, fazem menos ruído e conseguem se mover com mais precisão em áreas estreitas ou de difícil acesso. Essa eficiência ajuda a explicar por que os peixes robóticos vêm sendo usados em projetos de monitoramento de rios, controle de poluição, análise da qualidade da água e exploração em regiões profundas do oceano.

A tecnologia criada para proteger rios pode virar ferramenta estratégica no fundo do mar

Embora o discurso oficial esteja focado na preservação ambiental, o comportamento desses robôs também chama atenção pelo potencial estratégico. Isso porque um equipamento que consegue nadar silenciosamente, imitando um peixe comum, pode operar quase sem ser percebido em ambientes aquáticos. O artigo publicado na revista científica The Innovation mostra que peixes robóticos possuem qualidades importantes para operações subaquáticas, como por exemplo:

  • Alta capacidade de manobra
  • Baixo ruído 
  • Grande capacidade de ocultação

Isso significa que eles conseguem circular em rios e mares de uma forma muito mais discreta do que drones. Esse tipo de tecnologia já vem sendo usado em diferentes projetos pelo mundo para monitorar vazamentos em oleodutos, inspecionar equipamentos submarinos e coletar dados ecológicos em áreas perigosas ou de baixa visibilidade. Alguns modelos conseguem operar até em profundidades extremas, como a Fossa das Marianas.

No caso chinês, especialistas observam que o avanço da robótica biomimética faz parte de um movimento maior de investimento em inteligência artificial, sistemas autônomos e tecnologias marítimas. E embora ninguém fale diretamente em uso militar, a lógica por trás da tecnologia é difícil de ignorar: um robô capaz de atravessar oceanos coletando dados silenciosamente pode servir tanto para estudar o ambiente quanto para observar tudo o que acontece nele.


Inicio