Por que a Apple hesita tanto em lançar produtos com mais espaço de armazenamento?

Antes, a história era outra

Steve Jobs
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Não há prova melhor de como os tempos mudam do que pensar em como 10 GB nos pareciam uma quantidade absurda de armazenamento há 25 anos. Se a Apple estivesse hoje lançando produtos com esse espaço de armazenamento, teríamos enormes manifestações em frente ao Apple Park.

Ainda assim, comparando com o que a concorrência oferece hoje, alguns lançamentos da Apple ainda deixam a desejar nesse sentido. Não é segredo para ninguém — e sim uma reclamação recorrente — o pouco armazenamento que a Apple oferece em seus iPhones e, sobretudo, nos Macs.

“1.000 músicas no seu bolso”

Esse foi o slogan usado por Steve Jobs durante a apresentação do iPod, em outubro de 2001. As primeiras unidades do iPod eram vendidas com capacidades de 5 e 10 GB. Não era algo descomunal, nem mesmo naquela época, mas estava mais do que adequado.

Ipod

Aquilo era uma promessa com a qual a Apple se alinhava às necessidades da época, oferecendo uma capacidade mais do que suficiente para que um usuário comum pudesse ter sempre disponíveis seus álbuns favoritos. Hoje, o cenário musical mudou e plataformas como a Apple Music oferecem conteúdo quase infinito — embora essa seja outra história.

O fato é que aquela Apple defendia a ideia de que espaço nunca fosse um problema, algo que hoje em dia se tornou um quebra-cabeça tedioso para muita gente. Nos iPhones, a empresa ficou anos estagnada nos 64 GB de armazenamento base.

Felizmente, a situação melhorou e dispositivos como os iPhone 17 já oferecem 256 GB de armazenamento base, o que provavelmente é suficiente para satisfazer uma grande parcela dos usuários.

No entanto, o cenário fica mais sombrio quando olhamos para os Macs. Felizmente, a Apple começou a resolver o problema relacionado à memória unificada (a RAM) e eles já partem de 16 GB. Ainda assim, continuam muito limitados no que diz respeito ao SSD, oferecendo apenas 256 GB em muitos modelos.

E sim, é o mesmo valor que elogiamos nos iPhones da linha “Pro”, mas, pela própria natureza desses dispositivos, 256 GB em um computador como os Macs tendem a ser muito menos suficientes do que em um iPhone. Ou melhor dizendo: são bastante utilizados. Tanto que o mais comum é que rapidamente o usuário fique sem espaço e precise recorrer a SSDs externos ou armazenamento em nuvem.

Antes da crise da RAM

Atualmente, estamos diante de uma crise de memórias (sejam para RAM ou armazenamento) que elevou o preço desse componente e ameaça aumentá-lo ainda mais, inclusive para grandes clientes como a Apple. No entanto, essa “mesquinharia” da empresa com relação à memória vem de longa data.

Por trás dessas decisões, existem estratégias comerciais cuidadosamente estudadas. As expansões de armazenamento compradas à parte são caras para o usuário e geram um claro benefício econômico para a Apple. Da mesma forma, isso também serve para incentivar o uso do iCloud. Uma nuvem na qual, aliás, a empresa também é bastante mesquinha ao oferecer apenas 5 GB gratuitos.

O fato é que tudo isso representa um interessante choque entre a Apple de 2001 e a Apple atual. Uma Apple que não via problema em oferecer armazenamento suficiente para um uso normal por parte dos usuários e uma Apple que prioriza outros elementos e prefere que quem queira mais espaço (ou seja, quase todo mundo) pague por isso.

Ainda assim, aqui podemos recorrer à velha expressão de que ninguém fica rico distribuindo dinheiro. A Apple é a empresa mais valiosa do mundo e, na era Tim Cook, triplicou sua receita em comparação à era Steve Jobs. 

Este texto foi traduzido/adaptado do site Applesfera.


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