Copa do Mundo muda o mercado de TVs: por que os brasileiros estão comprando telas cada vez maiores

Processamento com IA, Modo Estádio e telas de 65 polegadas redefinem o que significa assistir ao futebol em casa

Samsung celebra 20 anos como líder global em TVs, e mundial chega como teste para a geração mais avançada da marca
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Vinicius Braga

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Vinicius Braga trabalha há mais de 20 anos com conteúdo digital. Sempre foi um entusiasta da tecnologia e sempre acreditou que inovação não é só sobre máquinas ou códigos, mas sobre pessoas. No Xataka Brasil, usa suas experiências com mídia digital, dados e inteligência artificial para aproximar o público das grandes transformações do mundo tech e mostrar como o futuro já está acontecendo e pode ser acessado por todos.

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A cada quatro anos, o ciclo se repete: o consumidor brasileiro troca de televisor. Mas desta vez, a migração vai além do tamanho, e a inteligência artificial está no centro da transformação.

Existe um calendário não oficial que todo fabricante de televisores conhece de cor: Black Friday e Copa do Mundo. A diferença é que a primeira acontece todo ano, e a segunda, não. Isso cria um comportamento de consumo peculiar, em que boa parte dos brasileiros sincroniza, voluntária ou involuntariamente, a troca da TV com o ciclo do torneio.

"Comumente, o consumidor tende a trocar de televisor de quatro em quatro anos", explica Alexandre Gleb, da Samsung Brasil, em entrevista ao Xataka Brasil. Segundo ele, a sazonalidade do Mundial chega a inverter a lógica habitual do mercado: em anos normais, cerca de 55% do volume de TVs vendidas se concentra no segundo semestre, puxado pela Black Friday. Em anos de Mundial, essa divisão se equilibra, podendo ultrapassar os 50% já no primeiro semestre.

O consumidor antecipa a compra, e o mercado responde com datas estratégicas, como o Dia do Consumidor e a Semana das Mães, transformadas em janelas de promoção voltadas justamente para quem quer estar bem equipado antes do apito inicial.

De 43 para 65 polegadas: quando o tamanho deixou de assustar

Durante anos, a reclamação era sempre a mesma: tela grande demais para sala pequena demais. Esse argumento, aos poucos, foi perdendo força, e hoje os modelos de 65 polegadas lideram as preferências de compra no Brasil.

A explicação de Gleb é dupla. Do lado tecnológico, a popularização do 4K resolveu o problema que antes justificava o medo de telas grandes: a pixelação visível a curta distância. Com alta densidade de pixels e processadores com IA gerenciando a fluidez do movimento quadro a quadro, assistir a uma TV grande de perto deixou de ser desconfortável.

Do lado cultural, a Copa ajuda a revelar um comportamento tipicamente brasileiro. "O brasileiro tende a assistir à Copa com mais pessoas, família, amigos. Quanto maior a TV, melhor o ângulo de visão e a experiência coletiva", observa o executivo. Uma sala cheia de gente pede uma tela à altura.

Tv Samsung

A TV que entende o que você está assistindo

A transformação mais significativa desta geração de televisores, porém, não está no painel, mas no que acontece dentro dele. A Samsung apresentou para este ciclo o Vision AI Companion, um hub de inteligência artificial integrado à TV que muda a natureza da interação com o aparelho.

A integração com a assistente de voz Bixby permite, por exemplo, perguntar durante uma partida quantas vezes aquele time foi campeão mundial, e receber a resposta em tempo real, com dados buscados na internet. Além da Bixby, o hub integra o Copilot, da Microsoft, e o Perplexity, gratuitamente, ampliando as possibilidades de consulta.

É uma aposta na TV como ponto central do entretenimento doméstico, e não apenas como receptor de sinal.

Modo Estádio: a engenharia por trás do barulho da torcida

Para a Copa especificamente, a Samsung desenvolveu o Modo Estádio com o consumidor latino em mente. O recurso atua em duas frentes simultâneas: imagem e som.

Na imagem, a IA ajusta cores de forma seletiva: o verde do gramado fica mais vivo, os uniformes e as cores da torcida ganham saturação, tudo isso sem o efeito artificial de uma supersaturação genérica. No som, o processamento separa camadas de áudio distintas para dar ênfase ao ruído ambiente da torcida, criando uma sensação de imersão que os alto-falantes convencionais não conseguiriam reproduzir sozinhos.

O recurso existe em três níveis de sofisticação. O Modo Estádio básico aplica os ajustes de forma fixa. O Modo Estádio AI adapta as configurações cena a cena, inclusive reconhecendo quando um intervalo comercial começa e ajustando o processamento de acordo. O Modo Estádio AI Pro vai além: ele identifica automaticamente que um conteúdo esportivo está sendo exibido e ativa tudo isso sem que o usuário precise fazer nada.

TVs Samsung

O que vem por aí: a Copa de 2030 no radar

Quando o assunto é 2030, Gleb não hesita em apontar para onde a tecnologia está indo. "Minha opinião pessoal é que a bola da vez serão as Mini LEDs", afirma, traçando um paralelo com o caminho que os painéis QLED percorreram até se tornarem mainstream.

Mas o que mais chama atenção na projeção do executivo é o nível de controle que a IA deve oferecer sobre o áudio. A ideia de mixar faixas de som individualmente, permitindo que o usuário remova a narração e ouça apenas o barulho da torcida, já está, segundo ele, "no radar dos próximos portfólios". É o tipo de funcionalidade que, há dez anos, soaria como ficção científica em uma conversa sobre televisores.

Para esse mundial que está chegando, a orientação da Samsung varia conforme o ambiente. Em salas com bastante luz natural, os modelos Neo QLED, com tecnologia Mini LED, levam vantagem pelo brilho e pela resistência ao reflexo. Para ambientes mais escuros, com foco em qualidade de imagem cinéfila, os painéis OLED entregam o contraste que nenhuma outra tecnologia ainda conseguiu superar. Quem busca custo-benefício sem abrir mão da qualidade encontra opções competitivas na linha Q7F, disponível em tamanhos que vão de 43 a 85 polegadas.

A Copa começa. O mercado, pelo que se vê, já estava aquecido bem antes do apito inicial.

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