Desde que o segundo mandato de Donald Trump começou, a ameaça de impor tarifas sobre produtos importados para os Estados Unidos está deixando investidores preocupados com o impacto que elas poderiam ter na inflação do país. Esse medo fez com que diversas bolsas de valores abrissem com quedas recordes nesta sexta-feira (04/04). Tudo por causa do medo que países afetados criem tarifas contra os produtos dos Estados Unidos e congelem a economia global.
Mas um impacto que ninguém esperava era o adiamento da pré-venda do novo console da Nintendo, o Switch 2. A empresa japonesa deu mais detalhes sobre ele na quarta-feira e anunciou que a pré-venda começaria semana que vem, no dia 09/04, por US$450. Com as taxas impostas pelo governo dos Estados Unidos a importações, o preço pode sofrer alteração. O console é fabricado no Vietnam e no Camboja, dois dos países mais taxados por Trump.
Conta do preço não é tão simples de fazer
Ainda não é possível ter certeza de quanto o Switch 2 vai custar nos Estados Unidos por um simples motivo: a conta é feita com base no preço declarado no momento do envio, e não no preço de venda ao consumidor. De acordo com o The Verge, o Switch é importado por US$ 338 a unidade. Os outros US$ 112 dólares seriam a margem de lucro. No pior caso, o console seria importado a US$ 473 (US$ 338 mais quarenta por cento), e com a adição da margem de lucro o preço final ficaria em US$ 585. Porém o preço oficial ainda deve ser divulgado pela Nintendo.
Tarifas diferentes para cada país
Na última quarta-feira (02/04), chamada de Dia da Libertação por Trump, o presidente dos Estados Unidos anunciou um novo pacote de taxas para as importações. A porcentagem varia de acordo com o país e o setor de onde vem o produto. O Brasil, por exemplo, será taxado em 10% sobre o preço de importação, menos que a China (34%) e os países da União Européia (20%). Mas o aço e o alumínio brasileiro ainda terão mais 25% de taxa para entrar no mercado estadounidense.
Veja a lista de países taxados por Trump.
País |
Taxas aplicadas |
---|---|
Camboja |
49% |
Vietnam |
46% |
Sri Lanka |
44% |
Israel, Bangladesh |
37% |
Tailândia |
36% |
China |
34% |
Indonésia, Taiwan |
32% |
Suíça |
31% |
África do Sul |
30% |
Paquistão |
29% |
Índia |
26% |
Coreia do Sul |
25% |
Japão, Malásia |
24% |
Filipinas |
17% |
União Européia |
20% |
Brasil, Reino Unido, Singapura, Chile, Austrália, Turquia, Colômbia |
10% |
Quedas maiores do que na pandemia
Por conta das taxas e da possibilidade de retaliação pelos países sancionados, especialistas estão prevendo retração da economia. A previsão tem causado efeitos nas bolsas dos EUA, que bateram índices negativos vistos quando a Covid-19 fez o mundo parar. O índice S&P, que reúne as 500 maiores empresas, caiu 4,84%, e gerou um prejuízo de US$ 2 trilhões em valor de mercado.
Bolsa brasileira se sustenta, e pode se beneficiar
Ao contrário do que se espera após as sanções, a bolsa brasileira ficou estável com uma queda de apenas 0,4%. O motivo é a perspectiva de que os produtos brasileiros se beneficiem já que recebemos uma taxa menor do que os nossos concorrentes internacionais. Em entrevista ao Terra, o economista-chefe da Câmara Nacional do Comércio (CNC), Felipe Tavares, explica que o nosso petróleo pode se tornar mais competitivo por conta do aumento do preço do produto venezuelano. “Nosso petróleo é muito bom, e essa briga com a Venezuela pode até abrir um caminho mais forte para o petróleo brasileiro”, explicou.
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