A Guarda Civil da Espanha desmantelou uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas. Segundo informou o órgão, na operação foram detidas 23 pessoas e apreendidos mais de 30 milhões de euros, a maioria em criptoativos.
A operação, chamada IFADE-YUZUK, teve início em 2023, quando a investigação começou com a "identificação de ações suspeitas no âmbito das atividades preventivas da Guarda Civil" em determinados aeroportos espanhóis. A organização criminosa era "perfeitamente estruturada e hierarquizada" e composta por pelo menos 52 membros.
De acordo com a explicação da Guarda Civil em comunicado, a organização se dedicava à lavagem de dinheiro utilizando criptomoedas como meio. O grupo "comprava" o dinheiro em espécie obtido de forma ilícita e o compensava por meio de transações em criptomoedas, cobrando uma comissão entre 2% e 3% em troca.
Posteriormente, esse dinheiro em espécie era "vendido" e compensado em criptomoedas, pagando comissões semelhantes. "Dessa forma, a organização conseguia manter um saldo estável nas carteiras usadas, garantindo uma cadência de entre quatro e seis operações semanais, com um fluxo de três milhões de euros por semana", detalhou a Guarda Civil.

O rastro do dinheiro
O dinheiro em espécie provinha da venda de mercadorias introduzidas na Espanha de forma clandestina para as autoridades fiscais, como falsificações. Esses produtos acabavam em estabelecimentos em Badalona (Barcelona) e Manises (Valência), embora a maioria dos locais envolvidos estivesse em uma cidade madrilenha.
O dinheiro era retirado da Espanha por meio de voos comerciais, de forma clandestina ou por declarações de meios de pagamento. O destino principal era Chipre, embora, mais tarde, os criminosos tenham começado a usar o transporte rodoviário para vender o dinheiro ilícito tanto na Espanha quanto na França e Portugal. Como detalha a Guarda Civil, "foram detectadas entregas de dinheiro em diferentes províncias espanholas (Madri, Barcelona, Málaga, Castellón, Valência e Alicante), Chipre, França e Portugal".

Uma operação de vários países
A operação IFADE-YUZUK teve duas fases. Uma em outubro de 2024, dedicada à desarticulação da organização na Espanha, Chipre e França; e outra em novembro, focada nos clientes da mesma. Foi necessária a coordenação das autoridades judiciais e fiscais de Espanha, Chipre e Alemanha, assim como da EUROPOL e da EUROJUST.
Também houve cooperação com o T3 TCE (iniciativa das empresas Tron, Tether e TRM Labs), graças à qual foi "conseguido o bloqueio preventivo de mais de 26,4 milhões de USDT"; e com a Binance, que bloqueou "29 contas com saldos no valor aproximado de 152.000 dólares".

Toda essa operação resultou em 90 registros em residências e sedes sociais, dos quais 77 ocorreram na Espanha. Também foram realizadas 23 detenções, 20 das quais no território nacional. Finalmente, destaca-se que foram apreendidos numerosos dispositivos de informática, 36 veículos, 8,2 milhões de euros em espécie, 27 milhões de euros em criptomoedas, imóveis e mais de dois milhões em contas bancárias.
Imagens | Guarda Civil
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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