Essa escultura de mais de 3 mil anos revela o amor dos egípcios antigos pelos cachorros

Imagem | Museu de Arte Metropolitana de Nova York
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PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

A domesticação dos cachorros teve início há dezenas de milhares de anos, entre 20 e 40 mil anos atrás. Desde então, esses animais ganharam a fama de melhores amigos dos homens e essa escultura arqueológica mostra que eles são amados pelo menos desde o Antigo Egito.

Esculpido em marfim, este cachorro abre a boca a partir do controle de uma alavanca que mostra seus dentes e língua. O acessório foi encontrado em uma tumba de pelo menos 3,4 mil anos atrás e hoje está no Museu de Arte Metropolitana de Nova York. Segundo o museu, o mecanismo que controla a boca do cachorro simulando um movimento de latido era conectado por um cordão de couro, mais tarde substituído por uma estrutura de metal.

Cachorro arqueológico

A escultura de 18,2 centímetros foi obtida pelo Met a partir do acervo pessoal de Howart Carter, famoso pela descoberta da tumba de Tutancâmon, em 1922. A localização exata da escultura do cachorro não é conhecida, mas as descrições do museu sugerem que ele data de um período durante o reino de Amenhotep III (avô de Tutancâmon), há 3,4 mil anos.

Assim como a data, seu uso também era incerto, mas provavalmente ele teria uma entre duas funções: um simples brinquedo para diversão ou um acessório cerimonial, considerado ritualístico e possivelmente mágico.

Cachorro2

Amor pelos animais

A pequena estátua mostra que os egípcios antigos já mantinham boa relação com cachorros de estimação, assim como a sociedade contemporânea. O uso dos animais também não era muito diferente dos conhecidos hoje. Quando não eram apenas animais de estimação e companhia para famílias, eram utilizados para guarda, pastoreio ou caça.

Independente da função, todos eles latiam e se moviam como o pequeno cachorro esculpido em marfim e exposto no Met.

Outra prova dessa boa relação está nas coleiras de cães, comuns no Egito do Novo Reino, entre 1.550 e 1.070 a.C.. Há milhares de anos, cachorros já recebiam adornos na forma de coleiras que podiam trazer não só o registro de seu nome, mas outros detalhes decorativos. Segundo o Met, um dos nomes comuns para cães da época podem ser traduzidos como “Pretinho”, “Filho da Lua” ou “Imprestável”.

Cachorro3

Deus cachorro

Os cachorros eram comuns nas vidas dos cidadãos, mas além disso eram destaque na adoração religiosa dos egípcios. A presença de coleiras ou estátuas como a exibida no Met dentro das tumbas podem ter sido diretamente inspiradas pelo culto ao deus Anúbis.

Com uma cabeça canina, Anubis era um dos principais deuses do Egito e era responsável pela proteção de tumbas. Na mitologia, o deus guiava as almas dos falecidos até o pós-morte, caso passassem seu julgamento. Ou seja, os cachorros, como imagem do deus, podiam ser entendidos como intermediários entre os deuses e os mortais.

A cidade onde o culto a Anubis era mais forte tem nome grego Cynopolis, traduzido como cidade do cachorro. Naturalmente, esses animais eram vistos por todos os ambientes na região, das ruas aos templos. Quando morriam, eram sacrificados para garantir a manutenção da proteção de Anubis.

Imagens | Museu de Arte Metropolitana de Nova York

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