Um país parece determinado a reduzir os preços do petróleo nos próximos meses: o Cazaquistão

País produziu 1,767 milhão de barris por dia em fevereiro, muito acima de sua cota na OPEP+

Cazaquistão produz mais petróleo do que deveria e isso se soma a outros fatores, apontando possível crise / Imagem: Flickr
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Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

O mercado de petróleo está passando por uma de suas fases mais instáveis, desde disputas internas dentro da OPEP+ até as políticas de produção de grandes potências fora da organização. Nesse cenário, o papel do Cazaquistão tem se tornado cada vez mais relevante, mas o verdadeiro perigo pode estar por vir, principalmente levando em conta outros atores internacionais, como os Estados Unidos.

O excesso de produção

Em fevereiro, o Cazaquistão foi notícia porque teve que acelerar seu desenvolvimento nuclear para lidar com sua crescente escassez de energia, aprovando sua primeira usina nuclear. Agora, esse país, que sempre manteve um perfil discreto na área petrolífera, tem aumentado a produção nas últimas semanas, superando as estimativas da OPEP+. De acordo com um relatório recente, o Cazaquistão produziu 1,767 milhão de barris por dia (bpd) em fevereiro, um aumento notável em relação ao 1,570 milhão de bpd de janeiro e muito acima de sua cota na organização, que está fixada em 1,468 milhão de bpd.

No campo de Tengiz, operado em colaboração com a Chevron, a produção superou as expectativas, tornando-se a maior dentro da OPEP+. Essa situação tem gerado um desafio para as metas da organização de manter um equilíbrio na produção.

Em uma tentativa de estabilizar os preços, a organização petrolífera decidiu aumentar gradualmente a produção após anos de cortes para impulsionar os preços do petróleo. No entanto, com o preço do petróleo despencando, a OPEP+ vê-se na necessidade de revisar sua estratégia. A ameaça da Rússia de reverter a decisão de aumentar a produção e os desacordos internos sobre as cotas de produção estão complicando ainda mais a situação.

A crise iminente

O preço do petróleo sofreu uma forte queda nas últimas semanas, com uma diminuição de mais de 13% desde os picos alcançados em janeiro. Embora essa queda possa ser atribuída a fatores como o excesso de oferta nas Américas e uma demanda mais fraca, o fator Cazaquistão está atuando como um catalisador que poderia aprofundar a crise. Sua produção desmedida poderia ser um fator importante para que a OPEP+ não consiga sustentar seus acordos e enfrente uma revisão de sua estratégia. Sem uma correção significativa, o mercado poderá enfrentar uma crise de preços ainda mais profunda.

EUA acompanhando de perto

Com a chegada de Trump, o petróleo voltou a ganhar destaque nos EUA. O atual presidente tem incentivado uma política de produção de petróleo em larga escala, com seu famoso "Drill, baby, drill". Nessa operação de continuar produzindo para manter os preços abaixo de 60 dólares o barril, os especialistas apontaram que Trump tem intensificado a competição em um mercado já saturado, afetando todas as economias dependentes do petróleo.

Mas o pior ainda está por vir. A crescente produção do Cazaquistão e dos Estados Unidos está provocando uma desestabilização no mercado de petróleo. Se a oferta continuar a aumentar enquanto a demanda não cresce no ritmo esperado, os preços do petróleo podem despencar ainda mais, afetando tanto os produtores quanto as economias que dependem do petróleo. O ponto crucial será se a OPEP+ conseguirá equilibrar essas pressões externas ou se o mercado será arrastado para uma crise de preços.

Imagem | Flickr

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.

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