NASA e ESA mudaram suas previsões sobre o asteroide: novos dados quase descartam um impacto

  • Com uma chance de 1 em 625 de colidir com a Terra em 22 de dezembro de 2032, o asteroide 2024 YR4 entrou no radar da Agência Espacial Europeia (ESA). No entanto, os especialistas acreditam que em breve poderão descartar qualquer risco real de impacto.

  • Conforme mais observações forem realizadas, os cálculos da órbita do asteroide se tornarão mais precisos, permitindo uma avaliação definitiva sobre sua trajetória nos próximos anos.

O asteroide realmente vai cair na Terra? Imagem: ESA
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Sofia Bedeschi

Redatora

Jornalista com mais de 5 anos de experiência no ramo digital. Entusiasta pela cultura pop, games e claro: tecnologia, principalmente com novas experiências incluídas na rotina. 

A probabilidade de colisão do asteroide 2024 YR4 com a Terra despencou de 2,8% para apenas 0,16%, segundo o Centro de Coordenação de Objetos Próximos à Terra da Agência Espacial Europeia (ESA). Já a NASA, que inicialmente estimava um risco de impacto de 3,1% – o mais alto já registrado para um asteroide monitorado – reduziu a projeção para 0,28%.

Risco praticamente descartado

As agências espaciais têm refinado cada vez mais os cálculos sobre a trajetória do 2024 YR4, incorporando novas observações à medida que monitoram o asteroide com mais precisão. Embora as projeções tenham variado ao longo das últimas semanas, a estimativa mais confiável foi divulgada recentemente tanto pela ESA quanto pela NASA.

Atualmente, a ESA calcula que há uma chance em 625 de o asteroide atingir a Terra em 22 de dezembro de 2032, enquanto a NASA estima uma probabilidade de 1 em 357. Com os dados mais recentes, os cientistas acreditam que, em breve, o risco poderá ser completamente descartado.

O que mudou?

Novas observações feitas por telescópios avançados, como o Gran Telescopio de Canárias, de 10 metros de diâmetro, ajudaram os astrônomos a reduzir a margem de incerteza nos cálculos da órbita do asteroide 2024 YR4. Com isso, o leque de possibilidades sobre um possível impacto em 2032 foi se estreitando.

Atualmente, a Terra está no limite da distribuição de probabilidade, ou seja, à beira da zona de incerteza. Se os cálculos tivessem apontado que o planeta continuava no centro dessa projeção, a chance de colisão aumentaria. No entanto, os novos dados indicam que, visualmente falando, a Terra está prestes a sair dessa faixa, o que tornaria o asteroide uma preocupação completamente descartável.

O telescópio Webb dará a resposta definitiva

O Telescópio Espacial James Webb será fundamental para confirmar que não há risco real de impacto. Graças à sua incrível sensibilidade para observar no espectro infravermelho, ele poderá rastrear o asteroide mesmo enquanto ele se afasta da Terra – algo impossível para telescópios convencionais, que observam apenas a luz visível.

As horas de observação já reservadas pela NASA, ESA e Agência Espacial Canadense com o Webb podem ser estendidas até maio. Além de refinar a trajetória do asteroide, essas análises vão ajudar a determinar seu tamanho real, estimado atualmente entre 40 e 90 metros, dependendo da reflectividade de sua superfície.

Se os cálculos continuarem seguindo essa tendência, em breve o 2024 YR4 deixará de ser uma ameaça, confirmando que não há perigo para a Terra.

A trajetória do asteroide: como o 2024 YR4 chamou a atenção

O asteroide 2024 YR4 foi descoberto em 27 de dezembro de 2023 pelo Sistema de Última Alerta de Impacto Terrestre de Asteroides (ATLAS), a partir do Chile. No entanto, ele só despertou preocupação entre os astrônomos em 31 de dezembro, quando apareceu automaticamente na lista Sentry da NASA – um banco de dados que rastreia objetos com risco de impacto superior a 1%.

O primeiro a acionar protocolos globais de defesa planetária

O 2024 YR4 entrará para a história como o primeiro asteroide a ativar os protocolos internacionais de defesa planetária, estabelecidos pela ONU em 2018. Desde então, agências espaciais ao redor do mundo têm trabalhado juntas para mobilizar o maior número possível de observatórios, a fim de monitorá-lo com precisão.

Em maio de 2024, especialistas de diferentes instituições irão se reunir para decidir os próximos passos, a menos que, até lá, os cálculos confirmem que o asteroide não representa mais uma ameaça para a Terra.

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