Emirados Árabes Unidos financiaram estudo para descobrir se é possível causar chuva no deserto com fazendas solares: a resposta é sim

  • Área de 20 quilômetros quadrados coberta com painéis solares pode fornecer água para 30 mil pessoas

  • Emirados Árabes Unidos podem tentar como alternativa à semeadura de nuvens

Imagem | Pixabay
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PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

À medida que a água se torna um recurso mais precioso do que o petróleo, cientistas analisaram se as fazendas solares podem ter um efeito ainda mais benéfico do que gerar energia a partir da luz solar: fazer chover no deserto, oferecendo às comunidades mais afetadas pela seca água e energia renovável ao mesmo tempo.

Engenharia climática contra a seca

Diante do drama da diminuição de seus recursos hídricos, o governo dos Emirados Árabes Unidos financiou um estudo publicado por pesquisadores alemães na Earth System Dynamics. Os pesquisadores propuseram a criação de ilhas de calor artificiais instalando grandes superfícies pretas (idealmente, fazendas de painéis solares) para aumentar a precipitação em áreas áridas.

Resultado promissor

Os cientistas simularam o impacto dessas superfícies com modelos avançados e obtiveram resultados surpreendentes. Uma ilha de calor de 20 km² induz um aumento na precipitação de 571.616 m³ por dia. Isso poderia se traduzir em abastecimento de água para cerca de 31 mil, apenas com uma área de 20 km².

Mas o interessante sobre o estudo não são seus resultados quantitativos, mas a possibilidade de implementar essas superfícies aproveitando as infraestruturas existentes, como painéis solares fotovoltaicos. Esta solução não apenas resolveria a escassez de água, mas também contribuiria para a produção de energia renovável.

Como funciona

A possibilidade de uma fazenda de painéis solares induzir chuva é algo que vem sendo estudado há algum tempo, particularmente no Saara. Essas instalações, ao absorver calor com seus painéis escuros, podem criar correntes que, sob as condições certas, desencadeariam tempestades de chuva.

Quando essas fazendas excedem um certo tamanho (cerca de 15 km²), o calor absorvido pelos painéis, em contraste com a areia mais reflexiva, aumenta significativamente as correntes de convecção necessárias para a formação de nuvens.

Áreas onde sabemos que é viável

Para que esse processo funcione, é necessária uma fonte de umidade atmosférica. Os modelos mostraram que os ventos úmidos de alta altitude vindos do Golfo Pérsico são suficientes, para o deleite dos Emirados. Os pesquisadores também identificaram outras áreas do mundo onde isso poderia funcionar, como a Namíbia e a península da Baixa Califórnia, no México.

Algumas limitações

A iniciativa exige superfícies mais escuras do que as comumente produzidas pelos fabricantes de painéis solares. Alguns deles são até reflexivos para melhorar seu desempenho térmico. No entanto, a construção de fazendas solares cada vez maiores, particularmente na China, abre a porta para testar a ideia no mundo real.

Não será fácil, é claro. A implementação de ilhas de calor gigantescas apresenta desafios logísticos, mas também ecológicos e sociais. Por exemplo, como essas áreas afetariam a biodiversidade local? Qual seria o impacto visual e social nas comunidades próximas? Mais pesquisas e testes piloto são necessários para descobrir.

O caso dos Emirados

O governo dos Emirados Árabes Unidos, que financiou o estudo, está lidando com a escassez de água de duas maneiras principais: usinas de dessalinização e semeadura de nuvens. O programa de semeadura de nuvens por aeronaves planeja voar cerca de 300 missões a cada ano, mas, como a dessalinização, é um método caro com limitações. Nesse contexto, grandes áreas de fazendas solares são uma alternativa promissora.

Imagem | Pixabay

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