As tensões entre Estados Unidos e China continuam avançando, agora com foco no setor de tecnologia. De acordo com o South China Morning Post, cientistas do Instituto de Tecnologia de Harbin estão desenvolvendo uma fonte de luz para litografia ultravioleta extrema (EUV) com tecnologia única, um progresso fundamental na produção de chips semicondutores avançados. Esta iniciativa busca neutralizar as sanções impostas pelos Estados Unidos e ser um passo à frente na estratégia da China para superar as restrições.
O projeto, liderado pelo professor Zhao Yongpeng, adota uma abordagem diferente dos métodos ocidentais de geração de luz laser EUV e usa uma tecnologia mais eficiente, econômica e compacta. Isso demonstra a determinação da China em avançar tecnologicamente em um contexto de sanções cada vez mais severas.
Inovação em meio a sanções: a aposta da China em sua indústria de tecnologia
O desenvolvimento de máquinas para fotolitografia, considerado um dos mais complexos na fabricação de semicondutores, tem sido historicamente dominado por empresas ocidentais, como a ASML.
Esta conquista ocorre num cenário de crescente atrito econômico. Os Estados Unidos recentemente expandiram sua lista negra de empresas chinesas restritas e afetaram mais de 140 entidades, incluindo gigantes como Tencent e CATL. Essas medidas buscam limitar o acesso da China à tecnologia avançada, especialmente em setores como inteligência artificial e armamento militar.
Retaliação da China: bloqueios estratégicos em minerais-chave
A China não ficou de braços cruzados. Em dezembro de 2024, o governo asiático proibiu a exportação de minerais essenciais como gálio, germânio e antimônio para os Estados Unidos. De acordo com um relatório anterior do The Guardian, a medida teve um impacto imediato nos preços internacionais e evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos dos EUA.

Esses materiais, essenciais para a fabricação de chips e tecnologias infravermelhas, são peça-chave na estratégia da China para exercer pressão sobre o Ocidente. Pequim já sugeriu que poderia estender suas restrições a outros minerais críticos, como níquel e cobalto.
O caso da Tencent, designada pelo Pentágono como uma empresa ligada ao Exército de Libertação Popular da China, exemplifica o impacto direto das sanções. De acordo com relatórios anteriores da Bloomberg, as ações da empresa caíram 7% em Hong Kong após o anúncio, enquanto outras gigantes tecnológicas chinesas também enfrentaram quedas significativas.
Por outro lado, a CATL, uma fornecedora-chave de baterias para Tesla e outros carros, negou qualquer ligação com multas militares. No entanto, sua lista negra destaca a estratégia dos EUA de enfraquecer a capacidade da China de liderar em setores estratégicos, como energia renovável.

Apesar das medidas restritivas e avanços tecnológicos independentes, o Ministério do Comércio chinês reiterou sua disposição de buscar um ambiente colaborativo mais equilibrado. De acordo com o South China Morning Post, inovações como o desenvolvimento de fontes de luz EUV mostram o potencial da China para desafiar o Ocidente, mas também a necessidade de diálogo para evitar mais interrupções no comércio global.
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