Sabíamos que os polvos eram muito inteligentes; mas não a ponto de ter um “cérebro” em cada braço

O cérebro "policêntrico" desses animais permite que seus braços atuem com extrema precisão e independência

Imagem | Theasereje, CC BY-SA 4.0
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PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

Os polvos são animais invertebrados, mas a ausência de um sistema nervoso central como o das aves ou mamíferos não torna seus cérebros menos interessantes que os demais. Cérebros, enfatizando o plural já que os sistemas neurais de cada um de seus membros têm um grau de independência, o que leva muitos a considerá-los como tal.

Um sistema nervoso que não é central

Agora, um grupo de pesquisadores estudou os sistemas nervosos desses cefalópodes para entender melhor como esses nove órgãos neurais operam em conjunto e até que ponto eles mantêm sua independência. O que eles observaram é que cada um desses cérebros tinha a capacidade de operar individualmente.

A equipe responsável pelo novo estudo acredita que é graças à segmentação única do sistema nervoso dos polvos que esses animais alcançam o nível de destreza no manuseio de órgãos extremamente flexíveis que servem a esses animais para se mover, se alimentar, sentir seu ambiente e até mesmo copular.

"Se você vai ter um sistema nervoso que vai controlar esse movimento dinâmico, essa é uma boa maneira de organizá-lo", disse o coautor do estudo Clifton Ragsdale em um comunicado à imprensa. "Achamos que é uma característica que evoluiu especificamente em cefalópodes sugadores para realizar esses movimentos semelhantes aos de vermes."

Estudando a segmentação

O novo estudo se concentrou na segmentação desse curioso sistema neural, analisando a distribuição e a função dos neurônios nesses braços, tomando como referência um polvo da espécie Octopus bimaculatus. Neurônios que juntos somam um número maior do que os neurônios localizados no "cérebro central" do animal, que é responsável por coordenar ações que exigem o uso de vários braços.

Esses neurônios nos membros estão concentrados, explica a equipe, em um cordão nervoso axial (ANC), que "serpenteia" o membro para cada uma das ventosas do animal.

Colunas neurais

A análise do ANC mostrou que os neurônios nos membros do polvo foram agrupados em "colunas" que, por sua vez, formaram segmentos que a equipe comparou a tubos corrugados. Os segmentos foram, por sua vez, separados por orifícios chamados "septos" dos quais nervos e vasos sanguíneos seguem em direção aos músculos do membro.

"De uma perspectiva de modelagem, a melhor maneira de organizar um sistema de controle para esse ponteiro longo e flexível seria dividi-lo em segmentos", acrescentou Cassady Olson, coautora do estudo. "Deve haver algum tipo de comunicação entre os segmentos, o que você pode imaginar que atenua seus movimentos."

Detalhes do trabalho podem ser encontrados num artigo publicado no periódico Nature Communications.

Muito a investigar

Os braços do polvo são membros muito versáteis que permitem que esse animal navegue no fundo do mar, mas também, por meio de suas ventosas, permitem que esses polvos percebam o mundo ao seu redor, cacem e se alimentem de suas presas. Conhecer os detalhes de como esses membros complexos funcionam exigirá mais pesquisas.

Imagem | Theasereje, CC BY-SA 4.0

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